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Discussão e Conclusões
Autor: Maria Rosa Rodrigues Rissi e Alcyone Artioli Machado - atualizado em 13/02/2009
  • O exercício do trabalho parece ir além dos aspectos técnicos intrínsecos a ele, exigindo uma outra dimensão no atendimento: a necessidade de ser continente às carências psicossociais dos pacientes.
  • A busca de auto-realização parece fundamentar o papel de acolhimento desempenhado pelo profissional .
  • A ambivalência verificada, alude a um contato com o trabalho realizado às custas de muita idealização, e por outro lado, um rompimento com o sofrimento e a morte que permeiam o cotidiano deste.
  • Grande motivação para maximizar o potencial no trabalho, em busca da conquista de um desafio e do desejo de obter realização a partir disso. Alcançar tais objetivos só seria possível diante da possibilidade de manter um espaço seguro entre o saber técnico e o envolvimento emocional, o que se torna bastante difícil no contexto do cuidar de paciente com aids. Assim sendo, o profissional parece se afastar da realidade das dificuldades do dia-a-dia e agir com base em idealizações a respeito de seu trabalho.
  • O único item que foi avaliado de modo diferente, para profissionais que já se acidentaram e aqueles que não se acidentaram, foi a dificuldade de se trabalhar com tranqüilidade no contexto da aids. Esta parece ser a questão mais subjetiva entre todas aquelas apresentadas aos sujeitos, possibilitando assim a identificação de uma presença subjugada de medo, avaliada negativamente, entre aqueles profissionais já acidentados. O episódio de acidente diminui a capacidade de idealização destes profissionais em rela-ção ao desempenho de suas funções, já que sem tranqüilidade qualquer atuação ganha outra tonalidade, necessitando assim assumir os temores intrínsecos à prática e que em alguns momentos recaem sobre si mesmos.
  • O paciente está em lugar de destaque na vida do trabalhador, principalmente a nível profissional. Uma vez que o paciente é o principal motivo da profissão, de sua evolução e resposta ao tratamento depende o sucesso de quem cuida, acabando por diluir o controle sobre sua auto-realização (adesão por exemplo).
  • Outro nível de representação diz respeito ao impacto e reação do paciente ao diagnóstico/prognóstico da infecção. Para os profissionais é bastante prejudicial o paciente não acreditar no tratamento e em suas possibilidades de melhora. A crença de que o paciente se arrepende de ter se exposto ao vírus parece apontar para a possibilidade do paciente se redimir, levando à uma abertura para um processo de acolhimento e filiação.
  • Em relação ao risco implícito de acidente ocupacional com MBPC durante o exercício de suas funções há uma grande preocupação advinda das possíveis complicações diante o fato de se acidentar, incluindo um caráter de revolta e desespero, respostas fortemente emocionais e traduzidas num sentimento de injustiça.
  • A dimensão do temor ao acidente e suas conseqüências parece estar ligado à possíveis identificações com o próprio paciente. Além disso, todas as medidas necessárias para a profilaxia pós-acidente são desconfortáveis, e acabam colocando o profissional em circunstâncias muito parecidas com aquelas que o paciente vivencia cotidianamente, como o grande número de medicamentos que precisam ser tomados, os efeitos colaterais possíveis, o uso de preservativos, os cuidados para evitar a gravidez. O profissional passa a ser tão vulnerável quanto o seu paciente. Passa a ser um igual.
  • A possibilidade de se infectar com o HIV através de exposição acidental, desperta o profissional para necessidades básicas ligadas ao real, como a segurança para o trabalho e sua saúde se encontram invariavelmente sobre alicerces frágeis. O profissional passa a sentir o medo da discriminação e da rejeição social.
  • Deste modo, os dois pólos de representação e conduta do profissional ficam definidos entre uma perda de contato com os riscos reais, imediatos e uma supervalorização da possibilidade de diminuir o sofrimento do outro, onde se encontram depositadas grande parte das expectativas de realização a nível pessoal e profissional.
  • Finalmente, um terceiro nível de desdobramento referentes aos aspectos técnicos que influenciam a prática, foram representados pela crença de que a pressa pode ser uma das causas de acidentes ocupacionais, contudo esta contingência parece estar associada a outras dificuldades verificadas no "setting" de trabalho, como o número insuficiente de funcionários, a negligência dos equipamentos de proteção em função do tempo de realização do procedimento, a conduta inadequada no descarte de materiais e as dificuldades do trabalho em equipe.


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