cinco homossexuais de Los Angeles adoecem com uma forma rara de pneumonia. Juntos, estes casos alertam as autoridades americanas para algo novo: uma enfermidade que aniquila o sistema imunológico e expõe o corpo a doenças oportunistas.
- 1982: (Julho) A nova doença é batizada com o nome de Aids, sigla em inglês para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. (Dezembro) Um bebê de 20 meses morre de uma infecção relacionada com a Aids depois de uma transfusão de sangue, dando o primeiro indício de que a doença poderia ser transmitida por outras vias, além das relações homossexuais.
- 1983: (Maio) Cientistas do Instituto Pasteur, na França, chefiados por Luc Montagnier, isolam o vírus que invade os leucócitos, provocando a Aids. Eles denominam o agente causador da doença como LAV (siga em inglês para Lympadenopathy-associated virus). Os primeiros sinais, encontrados em homens africanos na Europa, mostram que heterossexuais também podem ser infectados, gerando uma ansiedade generalizada. (Novembro) A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece uma vigilância global. O número conhecido de casos de Aids (só nos Estados Unidos) é de 3.064 até o fim do ano.
Registrados os primeiros casos de Aids no Brasil. Em São Paulo é implantado o primeiro programa oficial de controle da doença, ao qual se segue o programa no estado do Rio de Janeiro e o Programa de Aids na Divisão de Dermatologia Sanitária. - 1984: O cientista americano Robert Gallo anuncia ter isolado o vírus, o qual batizou de HTLV-III, mas fica claro que o agente é o mesmo do LAV, identificado um ano antes, na França.
- 1985: Os primeiros testes comerciais com o vírus da Aids ajudam a livrar os bancos de sangue contaminado. Celebra-se a primeira Conferência Internacional sobre Aids. O ator de Hollywood Rock Hudson se torna a primeira personalidade a morrer de Aids. Os casos da doença agora aparecem em todas as regiões do mundo. É identificado o primeiro caso na China.
- 1986: O agente causador da Aids passa a ser oficialmente denominado vírus da imunodeficiência humana (HIV).
No Brasil é criado o Programa Nacional de DST (doenças sexualmente transmissíveis) e Aids. - 1987: A primeira droga anti-HIV, a zidovudine (AZT) é aprovada depois que testes demonstraram sua eficácia na redução, mas não na cura, da progressão do vírus. O AZT pertence a uma classe de medicamentos denominada inibidor da transcriptase reversa, que impede a replicação do vírus. O presidente da Zâmbia, Kenneth Kaunda, anuncia que seu filho morreu de Aids, um marco na campanha contra o estigma que ronda a doença na África. O presidente americano, Ronald Reagan, que foi acusado de ter negligenciado a Aids, faz um discurso no qual descreve a doença como "inimigo público nº1".
- 1988: A Organização Mundial da Saúde institui o 1º de dezembro como o Dia Internacional de Combate à Aids. A data torna-se um marco para a mobilização, a conscientização e a prevenção da doença no mundo.
- 1990: Morre Ryan White, um jovem americano hemofílico infectado com HIV, cuja proibição de freqüentar a escola por ser soropositivo deu início a uma campanha de combate ao preconceito contra a Aids.
- 1991: Morre Freddy Mercury, vocalista do grupo de rock Queen. O astro do basquete americano Earvin "Magic" Johnson anuncia que tem HIV.
- 1992: O astro do tênis Arthur Ashe anuncia ter sido infectado numa transfusão de sangue nove anos antes. Julgamento na França de autoridades sanitárias acusadas de permitir que sangue contaminado com HIV fosse usado em transfusões.
- 1993: Sinais de preocupação surgem diante da resistência ao AZT apresentada entre usuários de longo prazo da droga. Morre de Aids o bailarino russo Rudolf Nureyev. Casos da doença começam a surgir na África do Sul.
- 1994: Estudos demonstram que o AZT é capaz de impedir a transmissão do HIV de mãe para filho.
- 1995: Duas novas classes de medicamentos anti-HIV, que também combatem a replicação, são aprovadas: os inibidores de protease e os inibidores não-nucleosídeos de transcriptase reversa. Usados em combinação, elas podem reduzir a carga viral abaixo de níveis detectáveis, um feito que desperta o otimismo de que uma possível cura tenha sido encontrada.
- 1996: As Nações Unidas criam o Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (UNAids). Introdução do teste de carga viral, um padrão de medida da progressão da doença. A epidemia começa a piorar no Leste europeu, na antiga União Soviética, na Índia e na China.
- 1997: O número de mortes causadas por Aids cai nos Estados Unidos pela primeira vez desde 1981. Surgem evidências de efeitos colaterais tóxicos e de resistência aos novos medicamentos anti-retrovirais.
- 1998: Naufragam as esperanças de que o coquetel de anti-retrovirais fosse uma cura. Surgem evidências de "reservatórios" de HIV onde o vírus hiberna e retorna quando a terapia é interrompida.
- 1999: A nevirapina se torna a droga de escolha para prevenir a transmissão de mãe para filho.
- 2000: O sul da África se torna o epicentro do que hoje é uma pandemia global. Em Botsuana, quase um em quatro adultos e 40% das mulheres grávidas têm HIV. O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, é atacado em todo o mundo por questionar que a Aids seja causada pelo HIV. Companhias farmacêuticas começam a baratear os preços dos medicamentos para países pobres.
- 2001: A companhia farmacêutica indiana Cipla promete fazer genéricos mais baratos de drogas anti-Aids, pressionando as multinacionais a cortar os preços mais adiante. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pede a criação de um "fundo de guerra" para a Aids entre 7 e 10 bilhões de dólares por ano, comparados com o um bilhão de dólares que eram gastos. A Aids se torna a causa principal de morte na África subsaariana.
Durante a rodada de negociações de Doha, no Catar, o Brasil defende a proposta vitoriosa de priorizar as necessidades da população aos direitos de patentes, dando apoio político e legal ao país em suas negociações, levando a significativas reduções de preço sem que a quebra de patentes tenha sido efetivada até o momento.
- 2002: O Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária começa a fazer suas primeiras alocações. O Fuzeon, o primeiro de uma nova classe de medicamentos anti-HIV denominados inibidores de fusão, que visa a evitar que o vírus se acople às células imunológicas, ao invés de replicar-se dentro delas após invadi-las, demonstra eficácia entre pessoas com resistência aos tratamentos existentes.
- 2003: O presidente americano, George Bush, anuncia planos para gastar 15 bilhões de dólares em cinco anos no combate à Aids na África e no Caribe. Fracassa o primeiro teste com uma vacina contra o HIV. O novo diretor-geral da OMSA, Lee Jong-Wook, coloca a Aids como sua prioridade máxima e pede que três milhões de pobres tenham acesso aos medicamentos anti-retrovirais até o fim de 2005. O premier chinês, Wen Jiabao, se tprna o primeiro chefe de Estado do país a apertar a mão publicamente de um paciente com Aids. Cai o preço dos medicamentos anti-retrovirais, com a ajuda de um acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC) para permitir aos países pobres e vulneráveis importarem medicamentos genéricos.
- 2004: A África do Sul finalmente começa a fornecer anti-retrovirais aos hospitais. A cúpula do G8 convoca uma iniciativa denominada Global HIV Vaccine Enterprise, que implementará a coordenação e o intercâmbio de informações entre os pesquisadores de vacinas do mundo.
- 2005: Grande aumento do acesso a anti-retrovirais nos países pobres, embora os resultados devam ficar bem atrás da meta "Three by Five" (três milhões de pessoas até 2005). Voltam as preocupações com recursos para a Aids, depois que os doadores deram prioridades às catástrofes naturais. Em seu estudo anual, a UNAids e a OMS, afirmam que a Aids matou 3,1 milhões de pessoas em 2005 e que cinco milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus HIV no ano. O total de pessoas vivendo com HIV/Aids atinge o recorde de 40,3 milhões.
Nestor - Rio de Janeiro
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